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Compositor Noel Rosa e a cerveja medicinal

ter, 15/07/2014 - 21:02 | Juliana Dias

A segunda edição do Maravilhas RJ traz uma categoria dedicada à Cerveja produzida no território fluminense. Carioca de Vila Isabel, Noel Rosa foi um  notável apreciador da bebida. Sua preferida era a Cascatinha, produzida pela Companhia Hanseática, localizada na Rua José Higino, 115, na Tijuca. Em 1941, a cervejaria foi adquirida pela Brahma e funcionou naquele edifício até a década de 1990. Hoje, o espaço é ocupado pelo supermercado Extra. Abaixo, um texto escrito pela jornalista Vanessa Moraes sobre os hábitos do compositor e sua ligação com a cerveja. 

Noel Rosa era um verdadeiro boêmio. Boa parte de suas mais de duzentas composições foram de fato vividas. E bebidas. Desde os 18 anos de idade Noel dormia durante o dia e saía, no começo da noite, para trabalhar nos botecos. Seu expediente ia até as seis da manhã no escritório de seu Vicente (português amante de samba) onde atendia o telefone, recebia amigos e parceiros e produzia suas melodias.

De saúde instável, Noel, tuberculoso, esperava a febre baixar e voltava ao botequim para se encher de cerveja gelada (a predileta chamava-se Cascatinha) e fumar um cigarro após o outro.
De acordo com seu médico, dr. Edgar, quando Rosa foi interpelado por um amigo, horrorizado ao vê-lo doente e bebendo cerveja, o compositor respondeu:

- A cerveja gelada não me pode fazer mal, nem trazer minha tosse e minha febre de volta. Muito pelo contrário. O gelo, como sei que você também sabe, paralisa os micróbios. Congelados, os bichinhos sossegam. Como você vê, cerveja gelada é um santo remédio.

E a outro amigo mais insistente, preocupado com sua saúde, que não engoliu essa sua teoria:
- Está certo você. Garçom, me traz outra cerveja, mas quente! (p. 76)

Já quase no final da vida, muito doente, Noel foi flagrado bebendo cerveja com doses de conhaque. Como nunca foi bom de garfo, explicou que estava se alimentando, já que a cerveja contém lúpulo e cevada, ingredientes calóricos que equivaliam a uma refeição. Quando questionado o motivo de misturar conhaque, ele devolveu que não se devia beber de estômago vazio. Uma vida tão desregrada que não durou muito. Noel morreu aos 26 anos.

Texto: Vanessa Moraes
Fonte: Ulisses Tavares in: “Hic!stórias! Os maiores porres da humanidade” (Ed. Panda Books, 2009)

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